terça-feira, 26 de julho de 2011

INFÂNCIAS

Tenho saudades dos dias em que chegava a casa, coberto por uma camada de porcaria sobre a minha roupa, joelhos a sangrar e mãos pretas. Nesses tempos sim, tinha uma infância realmente feliz. Lembro-me de aproveitar a vida ao máximo, em conjunto com tantas outras crianças.

Todas as nossas "actividades" começavam às 9h em ponto, num ponto de encontro previamente combinado entre todos. Era aí onde o dia tinha início. Davam-se uns toques numa bola, tentando fazer algo de novo que no dia anterior tínhamos aprendido com um rapaz mais velho, jogavam-se "tazos" ... Seguia-se o pequeno-almoço, cada um em sua casa, ao que nos apressávamos para regressar "à base". Era tempo de jogar às escondidas, até os nossos pais ou avós, com chamamentos que só nós percebíamos, nos chamavam para irmos almoçar. Às 14h, tudo começava de novo. Era tempo de nos sentarmos e decidirmos se íamos para a piscina ou se ficávamos toda a tarde a jogar futebol, até às 19h, hora em que a nossa felicidade chegava ao final.

Agora tudo mudou, agora as crianças acordam entre as 11h e as 13h da tarde, ao que se segue o almoço. Ligam o computador e vêm se foi gratificante o uso de adubo+50 na secção dos Tomates da sua horta do Farmville; mandar uma mensagem corrente para todos os amigos a combinar o que vão fazer, chegando à conclusão que o melhor é mesmo ficar em casa a tentar passar numa tarde um jogo ou na PSP ou no computador. Não dando pelo tempo passar, ouvem o grito esbaforido das suas mães, avisando-os várias vezes que o jantar já está na mesa. Acabado o jantar, a saga continua, e o Facebook é de novo o seu refúgio, ao que chegam a ficar "lá" até altas horas da madrugada.

Agora as INFÂNCIAS não fazem sentido ... só fazem se ... se envolverem hortaliças ...

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